Quando nós mudamos o mundo muda

É Círio outra vez e junto com ele mais uma oportunidade de renovar a esperança, a fé e, sobretudo, exercitar a espiritualidade, que, independente de religião, vem revestida de serenidade, de luz e de fraternidade entre as pessoas, possivelmente, esse é um caminho para a tão almejada paz, que passa pelo respeito e solidariedade, independentemente de cor, de raça, de ideologia ou credo religioso, é quando todos conseguem olhar para os lados e perceber muito além das diferenças, uma singela similaridade: A essência enquanto Ser Humano.

Hoje vivemos a era do “politicamente correto”, e então, um nível de sensibilidade aflorada que afasta e segrega as pessoas uma vez que as diferenças ao invés de compartilhadas a título de experiências para somar e aprender, se subtraem por conta dos bloqueios pessoais impostos como defesa dos seus interesses pessoais em detrimento do outro. O mundo atingiu um nível de sensibilidade tal, onde uma palavra irresponsável ou impensada pode desencadear uma guerra nuclear de proporções nunca antes imaginada, e isso está ocorrendo em todos os setores e níveis hierárquicos e sociais.

Intolerância religiosa, atentados, uns matam em nome de um deus enquanto outros morrem sem nem saber o por que, corrupção, desonestidade, ganância e a velha lei do tirar vantagem em tudo de todos, comportamentos que poderiam ser revistos em reflexão e oração, mas que muitas vezes são olhados com condescendência pelos seus próprios autores, quando se trata de interesses particulares, claro, no entanto, são implacáveis ao apontar, acusar e condenar os outros. Detalhe, que não percebo isso apenas na política, que aliás, ao invés de criar soluções viáveis para a nossa sociedade, está muito ocupada procurando se defender das acusações enquanto indiciados e da justiça enquanto réus e isso se alastra como uma epidemia e expõe a sociedade de tal maneira que nos causa a estranha sensação de que temos que estar atentos, pois nunca se sabe ao certo de onde será desferido o próximo ataque.

Todos os dias o noticiário estampa essas cenas em alto e bom som, com muita cor e imagem, diga-se de passagem, agora digital, para que não reste dúvidas sobre os fatos e isso tem levado muitos telespectadores a um aumento de pressão arterial, sudorese, taquicardia e respiração ofegante, que nada mais são do que os sintomas, reflexo de um mundo caótico e doente e que, como o tal, precisa de cuidados.

Mas como assim? Cuidados do tipo: plantar uma árvore? Fazer coleta seletiva de lixo? Preservar os rios? Participar de projetos sociais e filantrópicos? Essas ações por si só, são suficientes? Certamente que não! Pois quem sofre os reflexos do mundo é o interior de cada um, e sendo assim, tudo tem que começar dentro da gente, como diria Mahatma Ghandi “Seja você, a mudança que você quer ver no mundo!”, mas isso é possível? Se sim, como faze-lo? Vamos refletir um pouco:

Case 1 – Outro dia, vi uma empregada doméstica, retornando da padaria de onde acabara de ir comprar pães e se vangloriava que havia recebido um valor muito maior do que lhe era devido de troco e dentre outras coisas, declarava: “Ah, quem mandou ser abestado? Isso é pra ele prestar mais atenção…”. Tudo bem, concordo! Não era nenhuma mala com 2 milhões de reais escondida, mas, qual a diferença no ato em si? O que ela poderia fazer diferente?

Case 2 – Um motorista em meio a um trânsito caótico com vários adesivos de protesto colados em seu veículo com os dizeres: “Fora Temer”, “CorruPTos”, “Por um Brasil mais justo!” e outro, que mais me chamou a atenção pela circunstância, que dizia: “Paz no trânsito” tentando furar o imenso engarrafamento que havia pela frente ultrapassando pela ciclofaixa, até que chegou a um ponto em que bloqueou totalmente o fluxo dos ciclistas, ou seja, os dizeres acima, são para os outros apenas?

Case 3 – Uma funcionária muito religiosa que assinou o ponto conscientemente, mesmo sabendo que tinha faltado naqueles dias também está recebendo vantagens indevidas pelo seu ato e declara honestidade e justiça em nome de Deus afirmando: “Faltei, mas não por minha vontade, por isso me dei presença!”, mas se o empregador falta com um uma obrigação, ele é alvo de todas as críticas e motivo de sua insatisfação, desmotivação e mediocridade no trabalho, é isso mesmo?

Eu poderia citar inúmeros outros exemplos, mas não teria espaço suficiente aqui, no entanto creio que esses sejam fortes o suficiente para ilustrar o reflexo do mundo em nossas pequenas atitudes, por isso, deixo um ensinamento do maior coach que esse mundo já presenciou, Jesus Cristo, que, disse a um de seus apóstolos que o acompanhava ao monte Sião, enquanto estava sendo tentado pelas trevas: “- Orai e vigiai” e quando voltou-se para o apóstolo, este, simplesmente, estava dormindo e Ele então, muito bravo, o acordou e pediu-lhe oração e vigilância. Isso serve para cada um de nós não apenas nesse período, mas na vida.

Assim, só há uma maneira de nos mantermos imunes a essa “infecção” que assola a humanidade, considerar tudo isso como cenas externas, na qual, absorvê-las é como tocar o lixo e adoecer, portanto: Se ele não nos pertence, por que permitir que ele se instale em nós? Se for bom, deixe que fique, se não for, permita que vá. Desejo a todos um feliz e abençoado Círio de paz e reflexão.

Gostou do tema? Quer saber mais sobre esse assunto? Queremos lhe ouvir, envie suas dúvidas, sugestões, sua opinião para o whatsapp (011) 99546 8145 ou mande um e-mail para: fale@cibracoaching.com.br. Você poderá fazer parte do nossa próxima edição.

Nelson Vieira
 

Nelson Vieira, sou Advanced Coach Senior e Master Coach Trainer, certificado por diversas instituições internacionais ao redor do mundo, tendo formado aproximadamente 5 mil coaches pelo Brasil. Para conhecer mais acesse: www.nelsonvieira.com.br

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